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Livro Fé e descrença traz à tona temáticas das crises de fé e das decepções

Por Jaline Moraes em segunda-feira, 7 julho 2008

As temáticas das crises de fé e das decepções voltam à tona na MC com a publicação da obra Fé e Descrença (Walking away from faith, Intervasity Press).

Ruth Tucker segue na contramão do triunfalismo espiritual, tão marcante nesses tempos de fé fast-food, para aprofundar-se numa temática incômoda - uma viagem (sem cinto de segurança) pelas noites escuras da alma.

Você não se arrependerá, se aprecia autores como Manning, Yancey, Kivitz e Ludovico. O livro terá 240 páginas, será lançado em julho e custará R$ 29,90.

A seguir, confira uma breve entrevista com a autora:

O que te levou a escrever um livro sobre o abandono da fé?
Nós cristãos, principalmente os da tradição reformista, tentamos varrer esse assunto para baixo do tapete. Nossos filhos crescem na fé, acabam indo para o seminário, começam um ministério pastoral, e daí, em algum momento, afastam-se. Ficamos confusos com isto. Acabamos não querendo falar a respeito. Não temos reação.

Como as pessoas reagiram ao livro?
Há pouco tempo atrás, eu estava falando a um grupo de ateístas e alguém levantou a mão, dizendo: “Esta é a primeira vez que me dou conta de que se pode fazer as duas coisas. Pode-se crer e ser cristão, mas ao mesmo tempo pode-se também ter dúvidas e descrença.” Este livro confundiu algumas pessoas. Eu estava falando à minha própria igreja, num curso de educação de adultos e um homem veio a mim e perguntou: “Quando você finalmente foi passou além da descrença?” Eu olhei para ele como que dizendo, “Você ouviu o que eu disse?”, e respondi que nunca, até o momento, havia ido além dela.

Alguns devem reagir com alívio aos seus pensamentos, porque dão-se conta de que não são os únicos a terem dúvidas.
Recebo essa reação mais do que a outra, especialmente com meus estudantes. Muitos estudantes já vieram ao meu escritório, dizendo: “Ah, aquele livro simplesmente me libertou das batalhas que eu tinha. Porque aqui estou, no seminário, me perguntando: 'Será que sou o único?' Como posso entrar no ministério, quando estou tendo dúvidas? Será que eu chego a crer de verdade na coisa toda?” Há uma sensação de alívio, de que o livro não é apenas eu contando minha história, mas também inúmeras outras pessoas que passaram por esta dificuldade, esta batalha.

Sua própria história mostra uma interseção de crença e dúvida?
Vivo com a crença e a descrença sempre presentes em minha vida. Eu batalho.
Muitas vezes pensei: Será que isto está nos genes? Tive dois irmãos e duas irmãs que abandonaram a fé. E por que será que eu não? Sinto esta sensação de que não poderia abandonar a fé mesmo se quisesse, que Deus me segura, e, ainda assim, sempre há esta sensação de indagação e de olhar para a galáxia e dizer: “Onde está este Deus pessoal da Bíblia?”

Com quais dúvidas você luta?
Minha fé é uma fé muito forte, mas baseia-se em uma fé que inclui o paradoxo, o mistério e a tensão. Minha única batalha, então, não é o Nascimento Virgem, ou a Ressurreição, ou a Encarnação, ou a Transfiguração, ou algo assim. É apenas a própria existência de um Deus pessoal na Bíblia. Não tenho problema nenhum em acreditar num Deus de criação natural, criador do universo. Mas algumas vezes penso: será que este Deus do enorme universo sabe que Ruth Tucker está neste momento tendo uma entrevista, e será que ele liga para isto?

Muitas pessoas encontram conforto em saber que há a dimensão do mistério na fé?
Eu fiz diversos cursos de Teologia Bíblica nos meus estudos universitários, e aprendi todos os atributos de Deus. Nestes estudos, colocavam Deus numa caixa. Nós sabíamos exatamente quem Ele era. Poderíamos precisamente listar todas as suas facetas e qualidades. Não me lembro coisa alguma sobre mistério e desconhecido e o Deus escondido. Ensinar um curso sobre Deus e teologia, ou sobre quem é Deus, sem esse elemento de mistério e do escondido é enganar os estudantes. Os alunos que estão tendo dúvidas intelectuais, e especialmente dúvidas filosófico-científicas, recebem respostas demasiadamente racionais, ao invés de respostas sobre os mistérios e a tensão que há na fé, e também a poesia. Pensamos que é preciso dar dez provas de Deus, e contudo a fé está muito mais ligada à poesia e à prosa.

Fonte: Mundo Cristão

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1 Comentário »

  • Profético - Estudos Bíblicos disse:

    Por que para uns acreditar é tão natural como respirar e para outros, uma luta emocional e intelectual que no fim não vale a pena? À medida que o conhecimento avança e os fenômenos naturais tornam-se conhecidos, Deus deixou de fazer parte da resposta. E se nem mesmo a milenar questão do mal consegue ser resolvida, a razão confronta: existe Deus?

    Ruth Tucker decidiu caminhar pelo terreno movediço que separa a fé e a descrença, revisitando teólogos, filósofos e cientistas que conviveram com a dúvida intermitente ou colocaram Deus em xeque. Também ouviu relatos daqueles que viram sua fé desmoronar, mesmo tendo acreditado fervorosamente, por não conseguir conviver com o perturbador silêncio de Deus e com a indiferença dos cristãos que os cercavam.

    recomendo…

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