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Notícia publicada na(s) categoria(s) Mundo Cristão , Internacional , por Jaline Moraes
Igreja de Mianmar vive vigilante e sofrendo em silêncio
28 de Fevereiro de 2008 às 14:17:22 | Atualizada em 29 de Fevereiro de 2008 às 09:25:12
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MIANMAR - Publicamos um testemunho – de maneira anônima, por motivos de segurança – que veio ao AsiaNews de um cidadão cristão de Mianmar, onde a situação de liberdade religiosa no país é complicada. “Temos que ser cuidadosos com tudo no falar, agir, cantar, recitar, compor, construir etc, pois em tudo isso existe até mesmo o risco de perdermos a vida.
Mianmar ou a antiga Birmânia é um país fechado. Nenhum turista pode enxergar a opressão do governo superficialmente. Tudo aparenta ser calmo e tranqüilo.
Mas dentro de cada um de nós há medo, indignação e o desejo de ser livre. Estamos debaixo da lei e a junta militar está acima dela. Eles se utilizam de todos os meios para se beneficiarem, bem como para forçar o povo em silêncio.
E quanto aos cristãos? Essa questão deve ser respondida de maneiras diferentes. O governo poderá responder: é livre. Ignorantes poderão responder, okay. Alguns que não tem interesse em religião poderão responder: não tem importância.
Mas a resposta correta tem que ser: somos livres para adorar utilizando de nossos próprios ritos (celebração em massa, oração, etc) mas não temos liberdade religiosa.
Pois os religiosos não têm permissão para falar sobre justiça, sobre direitos humanos e etc, de acordo com os ensinamentos da igreja em relação ao que tem acontecido no país.
Podemos ver o que tem acontecido agora em Mianmar. Um país no qual os budistas são a maioria da população. A junta militar mostrou sua boa relação com a religião. Agora a verdade aparece. A verdade está se revelando. A junta usou o budismo como ferramenta política.
Quando os próprios budistas não estão em linha com a junta, eles tornam-se alvos. Prisões e mortes acontecem. Os monges ficam restritos em todos os meios. Alguns são mortos, outros presos, alguns fogem e outros se escondem.
Os monastérios são fechados. Alguns monges são impedidos de darem sermões. E a lista não pára por aí. Nessas situações, como podemos dizer que a minoria religiosa possui liberdade? Ninguém vê os cristãos num alto escalão da política.
Almas presa por fora, mas livres por dentro
Muitos cristãos escondem sua identidade para ter pelo menos um emprego decente. Mas ninguém pode tirar isso de nossa identidade. Somos restringidos em muitas coisas, mas livres por dentro. Temos liberdade em nosso relacionamento com Deus.
Mas somos como estátuas. Temos bocas mas não podemos falar. Temos olhos mas fingimos não ver, ouvidos, mas fingimos não ouvir tantas coisas.
Às vezes não temos tempo para olhar para o mundo. Quando abrimos nossos olhos, vemos tantos que pedirem ajuda, embora não saibam ajuda para quê. Você ouve também. Mas não tem condições de reagir. Então você lamenta. Ou compartilha com lágrimas.
Os cristãos compartilham o mesmo destino com todos sob o mesmo governo. Mas eles têm tanto a ver com Mianmar. Líderes religiosos tentam o possível para viver na fé, mas com dificuldades.
Ainda existem lugares onde igrejas e capelas podem ser construídas. Uma paróquia só pode abrir três vezes ao ano. A igreja passa por sofrimento, mas apesar disso encontra força para crescer, e existem muitas conversões e vocações missionárias.
O país não possui uma Constituição desde 1988 e não existe lei para liberdade religiosa."
Fonte: Portas Abertas
Mianmar ou a antiga Birmânia é um país fechado. Nenhum turista pode enxergar a opressão do governo superficialmente. Tudo aparenta ser calmo e tranqüilo.
Mas dentro de cada um de nós há medo, indignação e o desejo de ser livre. Estamos debaixo da lei e a junta militar está acima dela. Eles se utilizam de todos os meios para se beneficiarem, bem como para forçar o povo em silêncio.
E quanto aos cristãos? Essa questão deve ser respondida de maneiras diferentes. O governo poderá responder: é livre. Ignorantes poderão responder, okay. Alguns que não tem interesse em religião poderão responder: não tem importância.
Mas a resposta correta tem que ser: somos livres para adorar utilizando de nossos próprios ritos (celebração em massa, oração, etc) mas não temos liberdade religiosa.
Pois os religiosos não têm permissão para falar sobre justiça, sobre direitos humanos e etc, de acordo com os ensinamentos da igreja em relação ao que tem acontecido no país.
Podemos ver o que tem acontecido agora em Mianmar. Um país no qual os budistas são a maioria da população. A junta militar mostrou sua boa relação com a religião. Agora a verdade aparece. A verdade está se revelando. A junta usou o budismo como ferramenta política.
Quando os próprios budistas não estão em linha com a junta, eles tornam-se alvos. Prisões e mortes acontecem. Os monges ficam restritos em todos os meios. Alguns são mortos, outros presos, alguns fogem e outros se escondem.
Os monastérios são fechados. Alguns monges são impedidos de darem sermões. E a lista não pára por aí. Nessas situações, como podemos dizer que a minoria religiosa possui liberdade? Ninguém vê os cristãos num alto escalão da política.
Almas presa por fora, mas livres por dentro
Muitos cristãos escondem sua identidade para ter pelo menos um emprego decente. Mas ninguém pode tirar isso de nossa identidade. Somos restringidos em muitas coisas, mas livres por dentro. Temos liberdade em nosso relacionamento com Deus.
Mas somos como estátuas. Temos bocas mas não podemos falar. Temos olhos mas fingimos não ver, ouvidos, mas fingimos não ouvir tantas coisas.
Às vezes não temos tempo para olhar para o mundo. Quando abrimos nossos olhos, vemos tantos que pedirem ajuda, embora não saibam ajuda para quê. Você ouve também. Mas não tem condições de reagir. Então você lamenta. Ou compartilha com lágrimas.
Os cristãos compartilham o mesmo destino com todos sob o mesmo governo. Mas eles têm tanto a ver com Mianmar. Líderes religiosos tentam o possível para viver na fé, mas com dificuldades.
Ainda existem lugares onde igrejas e capelas podem ser construídas. Uma paróquia só pode abrir três vezes ao ano. A igreja passa por sofrimento, mas apesar disso encontra força para crescer, e existem muitas conversões e vocações missionárias.
O país não possui uma Constituição desde 1988 e não existe lei para liberdade religiosa."
Fonte: Portas Abertas
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